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Carlos Sider é engenheiro químico e administrador de empresas. Tem atuado por muitos anos como executivo contratado por empresas como Bunge, Rhodia, Tintas Coral, Eternit, no Brasil e no exterior, e nos últimos 9 anos como principal executivo. Atualmente é o CEO da Konzept para a América Latina.

  


Quem sabe não foi pra isso...?
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or habitar e circular entre o mundo empresarial e o ministerial há 26 anos acho que já aprendí a não me assustar com as anomalias. Aprendí a ver o que há de excelente em cada lado, e fugir do que há de mau. Aprendi que Deus é Senhor de ambos, e se ficamos vez por outra surpresos com o que vemos, jamais veremos Deus surpreendido com o que há. Ele sabe, e segue no controle de tudo.
A verdade é que Deus nos coloca onde estamos com finalidades que Ele conhece há muito, e que nos revela aos poucos. Como Ester, talvez eu e você tenhamos sido plantados em terreno específico, e mesmo que não consigamos ver ‘quais podem ser as intenções de Deus’, Ele as tem, por certo.
Enfim, temos nossas lições de casa. E é justamente para uma delas que eu quero agora lhe chamar a atenção. “Quem sabe não foi pra isso que Deus lhe colocou onde colocou?”


Há uma história bíblica que me ensina muito como Deus manobra as circunstâncias para dar sequência aos Seus planos: a história de Ester, narrada no livro do mesmo nome. Ester torna-se rainha do impérío persa (pós-babilônico) como esposa de Assuero (ou Xerxes) e esta sua posição acaba sendo peça-chave para livrar o povo judeu do extermínio. Certo momento, enquanto discutia com seu tio Mardoqueu suas poucas chances de fazer algo para livrar o povo dos problemas, ela ouve de seu tio esta frase: “quem sabe não foi para um momento como este que você se tornou rainha?” (veja em Ester 4:14)

E esta história sempre teve para mim um significado particular e especial. E aqui explico o porquê.

Apesar de sempre envolvido com alguns ministérios, nunca me dediquei a nenhum deles em tempo integral. Em toda minha história, sempre me ví em atividades profissionais, seja como executivo, seja nos últimos anos como empresário. Olhando por um lado, não foram poucas as vezes em que tive a vontade de largar tudo em uma das pontas, a pretexto de ‘fazer direito e melhor’ uma coisa só. Mas o outro lado sempre me mostrou que, justamente “por fazer as minhas tendas” alguns dos ministérios com os quais me envolví foram viabilizados. Não sei por que, mas eu não conseguiria viver em paz sem dar vazão ao meu chamado ministerial, e tampouco o veria realizado sem o apoio e a experiência que obtenho em meu dia a dia empresarial.

Ester vivia algo assim. Era judia, e era rainha do império persa dominador por ser casada com Xerxes. Tinha um pé em cada um dos mundos.

Sempre me ví assim. Com um pé em cada um dos mundos – o empresarial e o ministerial.  

Dois mundos! Não deveria ser assim. Já que eu sou um só, e meu Deus é um só, como chamar minha vida ministerial de uma coisa e a empresarial de outra? Tudo deveria ser a mesma coisa e, cá entre nós, para mim é. Minha dedicação à empresa é a mesma de minha dedicação ao ministério, pois sei que fui chamado por Deus para ambas as coisas. Mas embora meus olhos vejam a cena como uma só, não posso deixar de reconhecer que são dois mundos distintos. Fizemos e estamos fazendo deles dois mundos.

O mundo dos negócios, do dinheiro, das vendas e das compras, dos lucros e dos prejuízos, enfim, o mundo empresarial é o rancho onde importante é o resultado. Todos vivem numa selva onde foram picados pelo mosquito do imediatismo, e vivem relações que beiram o absolutamente impessoal. Você vale o quanto dá de resultado, o quanto é capaz de ganhar ou cobrar pelo seu serviço. Mas se de um lado parece ser um ambiente inóspito, de outro a gente também aprende a dar resultado (caso contrário você está fora), a ver a coisa acontecer rápido, e a chamar de prioridades o que realmente é (o que não é não interessa e só nos faz perder tempo).

Já o mundo ministerial é um ambiente bem mais calmo, mais pessoal, onde as pessoas tem mais importância que números, resultados e valores. É um mundo  menos agressivo. Mas vez por outra quer me parecer que a coisa é tão calma, mas tão calma, que as pessoas se esquecem que estão lá por alguma razão. Esquecem-se que alguém, direta ou indiretamente, lhes paga as contas. Conheço, lamentavelmente, certas instituições (missões, ministérios, igrejas, instituições cristãs assistenciais, chame como quiser) onde as pessoas são sossegadas além dos limites do razoável. Já que ninguém lhes cobra resultados, vão ‘levando’... e cozinhando o galo em água fria.

Como eu já disse há pouco, penso que não deveria ser assim, mas é. Com raras e louváveis exceções. Quantas e quantas vezes eu já brinquei com minha esposa dizendo que, diante do stress de certas negociações empresariais, eu precisava mesmo é de férias no ambiente ministerial. E quando eu começo a ficar muito sossegado com resultados, digo que preciso logo dar um mergulho na selva da vida empresarial para recuperar um pouco do instinto de sobrevivência.

Enfim, qual seria o melhor resumo de toda essa história? Ah, como seria melhor a nossa vida sem esses extremos...

Como você se sente em relação a isso? Ora, acho que depende de onde você está... Se você é habitante da selva empresarial, talvez tenha até gostado de algumas descrições da vida ministerial. Mas não se esqueça que por lá estão as pessoas sérias que tem um interesse genuíno em sua vida, mesmo que não pensem e não sejam iguais a você. E se você está do lado ministerial, talvez possa estar até indignado com minhas palavras. Mas não se esqueça que existem pessoas com um chamado diferente do seu, gente chamada pelo mesmo Deus, e não é pelo que fazem que são mais ou menos consagrados.

Por habitar e circular pelo dois mundos há 26 anos acho que já aprendí a não me assustar com as anomalias. Aprendí a ver o que há de excelente em cada lado, e fugir do que há de mau. Aprendí a não chamar de ‘selvagem’ o mundo empresarial, tampouco chamar de ‘folgado’ o mundo ministerial. Aprendi que Deus é Senhor de ambos, e se ficamos vez por outra surpresos com o que vemos, jamais veremos Deus surpreendido com o que há. Ele sabe, e segue no controle de tudo.

A verdade é que Deus nos coloca onde estamos com finalidades que Ele conhece há muito, e que nos revela aos poucos. Como Ester, talvez eu e você tenhamos sido plantados em terreno específico, e mesmo que não consigamos ver ‘quais podem ser as intenções de Deus’, Ele as tem, por certo.

Enfim, temos nossas lições de casa. E é justamente para uma delas que eu quero agora lhe chamar a atenção. “Quem sabe não foi pra isso que Deus lhe colocou onde colocou?”

Um dos sonhos que tenho sonhado com Deus e que estou vendo nascer é uma instituição chamada “Tie”.

A palavra ‘tie’, vinda do inglês, lembra aos executivos o seu uniforme do dia a dia – a gravata. E isso já nos leva a uma primeira definição que a descreve: uma instituição que congrega executivos e empresários.

Mas ‘tie’ também nos lembra o verbo inglês para amarrar, dar laço, unir, criar vínculos. Tem portanto a finalidade de amarrar os dois mundos de que falei: o empresarial e o ministerial, em pelo menos alguns aspectos.

Em um país como o Brasil somos forçados a ver e conviver com realidades econômicas opostas: gente muito rica e gente muito pobre. Como falar de Cristo sem cair no erro descrito por Tiago de tentar praticar uma fé sem obras? Veja Tiago 2:14-18

De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo? Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: "Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se", sem porém lhe dar nada, de que adianta isso? Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta. Mas alguém dirá: "Você tem fé; eu tenho obras". Mostre-me a sua fé sem obras, e eu lhe mostrarei a minha fé pelas obras.

Abra os olhos e veja, como eu, que existe muita gente séria no campo ministerial. Esqueça por um momento dos ‘magnatas de fé’ – aqueles que vivem às custas de um povo explorado e enganado. Há muita gente, muitas instituições cristãs, muitas frentes de pregação do evangelho que sentem as necessidades das pessoas que querem alcançar e para eles destinam a pregação de Cristo acompanhada de ajuda, apoio, suporte. Mais do que falar de Cristo, vivem a Cristo. E dão frutos.

A Tie visa operar na intermediação entre estas instituições e os meios empresariais, atuando na captação de recursos e no gerenciamento dos mesmos em projetos pre-determinados. Executivos fazem isso o dia todo a serviço de suas empresas. Podem e devem fazer isso a serviço do reino, usando seus contatos, suas agendas, seu networking.

Não é minha intenção descrever muito mais aqui. Seria repetir o que já está neste website, ainda em complementação, mas já operante.

Eu o convido a saber mais da Tie, e conforme o que Deus lhe mostrar, a fazer parte deste projeto. Quem sabe não foi pra isso que Deus lhe fez ler este artigo? Quem sabe não foi pra isso que Deus o colocou onde colocou?

E se você é parte de alguma instituição que gostaria da ajuda da Tie, visite o site. Lá estão descritas as formas pelas quais podemos fazer algo em conjunto.

Quem sabe não foi pra isso...?

 


veja ainda:

Captação de Recursos - Alguém consegue algo em algum lugar?
Transparência administrativa, relatórios claros e profissionais (esqueça as prestações de contas que algum missionário disse como fazer), isenção plena na conduta. São todos fatores que deveriam ser mínimos para quem se candidata a captar recursos com quem quer que seja. E não fiquemos apenas nos relatórios financeiros e administrativos. Se você prometeu resultados, prove que você os alcançou. Você pegou dinheiro para distribuir “N” cestas básicas? Prove que distribuiu, de preferencia até com algum tipo de auditoria. Você pretendia alcançar “X” crianças com seu projeto? Prove que você o fez. Resultados. Mostre os resultados. Ninguém quer saber que você se esforçou. O dinheiro não lhe foi dado por seus esforços, e sim para que, por meio dele e por meio dos seus esforços, os resultados chegassem
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Implicações e desafios da Missão Integral
É lugar comum em qualquer ensaio missiológico usar o termo "missão integral", assim como se usa o termo "reino de Deus", sem maiores detalhes sobre o que realmente significa fazer missão de modo integral. O uso deste termo empresta uma áurea de seriedade ao que se escreve.
A verdade é que este tema já está desgastado e existe uma certa desilusão com o mesmo em vista das dificuldades que este modelo de missão impõe. Se de um lado vemos igrejas totalmente alheias aos postulados da MI,
por outro lado vemos igrejas que gostariam de trabalhar mais estes ideais, mas encontram as mais diversas dificuldades. São dificuldades conceituais, estruturais, econômicas e ideológicas.
Clique aqui para mais sobre este texto de Antonio Carlos Barro

 

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