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Recentemente eu estive em um congresso de líderes cristãos, onde um dos
preletores foi falar justamente sobre isso. E ele logo começou fazendo piada
com um dos organizadores que, numa sugestão de pauta, colocou uma pergunta:
“como ter êxito na captação de recursos para o seu ministério?” Ao que
inevitavelmente ele respondeu: “Ah... se eu soubesse...”
Quem sabe?
Quem consegue? Dá pra captar recursos neste Brasil de hoje?
Ah, se eu
soubesse... Posso responder assim?
Mas, já
que eu comecei a escrever algo com este título, difícil terminar agora.
Portanto, eu o convido a analisar...
... apenas
alguns fatos
- o Instituto Ayrton Senna investiu 18 milhões de Reais em 2002. Foram R$ 16
milhões em 2001, quase R$ 14 milhões em 2000, R$ 11 milhões em 99;
- este
investimento foi feito em instituições parceiras que viabilizam suas ações,
já que o Instituto não necessariamente as executa. Ele as avalia, valida,
controla;
-
substancial parte destes recursos foi captada junto a empresas “aliadas”,
dentre as quais Embratel, Banco do Brasil, Nokia, Ericsson, Audi, entre
muitas outras;
- mais de
80% dos programas sociais, cristãos e de interesse público desenvolvidos por
instituições sem fins lucrativos estão amarrados e são financiados por
empresas privadas que buscam lucro;
- somente
pequena parte destes investimentos é feito por programas de incentivos
fiscais/tributários.
Qual a
mecânica?
Não comece
a buscar pelo endereço de algumas empresas e instituições acima. Elas não
foram mencionadas como fontes de recurso e sim, como exemplo de que algo
pode realmente ser feito.
E para saber o que pode ser feito, é necessário saber qual é a mecânica da
coisa.
Não tenho a mínima pretensão de ser alguém entendido no assunto. Mas tenho
sido um executivo/empresário ao longo dos últimos 20 e poucos anos, e neste
tempo já fui procurado por quem queria dinheiro, já procurei os outros para
conseguir dinheiro, já conseguí dinheiro para instituições e pedí dinheiro a
outras empresas em nome de instituições que busquei ajudar. Dentre muitas e
inevitáveis negativas ouví e presenciei uma boa porção de afirmativas.
Portanto, entenda os pontos abaixo mais como um testemunho do que uma
fórmula mágica. Não existem as tais fórmulas. Por isso mesmo dou um nome
pouco usual para os pontos. Começando pelo número zero:
0) Deus comprou o seu
projeto?
Você tem certeza que Jesus iria junto com você buscar patrocinadores? Pode
parecer uma pergunta estranha, mas a verdade é que, caso estejamos falando
de projetos de cunho cristão, Deus é quem precisa mover corações. Se moveu o
seu, ótimo. Mas se o projeto é Dele, Ele por certo moverá os corações dos
patrocinadores e parceiros. Caso contrário você gastará muita sola sem
grande retorno.
1) nem macaco põe a mão em cumbuca
Se a sua
instituição, ou a instituição que você quer ajudar anda sempre às voltas com
dificuldades administrativas e financeiras que se manifestam em pouca
transparência administrativa, dívidas fiscais, “rolos” financeiros, etc, nem
perca o seu tempo pedindo investimentos. A melhor ajuda que esta instituição
precisa é de alguém que a ponha para funcionar direito.
Ah, mas é que... são as muitas dificuldades... como pagar impostos quando as
nossas crianças precisam comer? Quem disse que uma instituição desse tipo
precisa pagar impostos? Se precisa, não é bem uma instituição! Não, não me
entenda mal... não são impostos... são as verbas previdenciárias e
trabalhistas dos funcionários... Ah, só isso? Quer dizer que os
administradores estão passíveis de crime de apropriação indébita? Que bom...
então quer dizer que um funcionário demitido pode dizer adeus ao seu FGTS?
Pergunte a opinião dele...
A verdade
é que uma grande parte das instituições de caridade, de ajuda social,
religiosas ou não, tem o costume de não recolher certas taxas e verbas
porque afirmam, lá por trás do pano, que sua causa é maior, e que jamais
alguém vai processar uma instituição assim. Pode até ser a prática corrente
em muitos lugares deste Brasil de hoje, mas estas instituições tem muito
poucas chances de lograr exito na captação de verbas privadas. São cumbucas
fenomenais.
Dinheiro
bom se nega a entrar em cumbuca.
2) o doador é sempre um “interesseiro”
Quem
canaliza recursos para alguma instituição sempre o faz com algum outro
interesse. E o duro é que esses interesses raríssimamente são declarados. O
doador assume o discurso de benfeitor, de generoso. E de fato o é, pois
poderia fazer qualquer outra coisa com o dinheiro. Mas sempre há outros
interesses, que embora não declarados podem ser “descobertos” e atendidos. E
me arrisco a dizer que são em geral os principais. Portanto, seu atendimento
pode facilitar ou até garantir próximos investimentos.
Quais são eles? Ah... se eu soubesse...
Mas penso que existem pelo menos 4 tipos:
a)
interesses fiscais e tributários – embora as leis e portarias que
permitem estas canalizações andem meio raras, elas ainda existem para
projetos e áreas específicas. Se é este o caso da doação que você pretende
receber, não espere que um empresário lhe diga que “só está dando o dinheiro
porque é dinheiro de imposto mesmo, e vamos acabar logo com isso”. Mas já se
sabe onde é necessário chegar
b)
interesses financeiros mesmo – há casos em que o doador doa para não
ter que gastar mais depois. Há casos onde o doador investe para evitar
“males maiores”. Longe de querer instigar alguém a gerar a ameaça para
depois oferecer a solução (o que seria mais que criminoso, e facilmente
desmascarável), há muitas empresas investindo em benfeitorias e ajudas
sociais a bairros e regiões, pelo simples fato de que suas fábricas ficam
por lá. As empresas sentem as necessidades sociais no bolso também
c)
interesses
publicitários e de imagem – é muito difícil para quem está liberando
dinheiro pedir algum espaço publicitário e associação da imagem da empresa
com o projeto que está sendo financiado. Antes de esperar que o doador peça,
ofereça. E ofereça algo que encha os olhos dele, sem que a isenção de seu
projeto seja desvirtuada
d)
intereresses
ideológicos mesmo – embora meio raros nos tempos bicudos que vivemos, por
muitas vezes o doador compra o projeto como ninguém. Nestes casos o doador é
quase que individual, ou é um empresário dono do próprio negócio. Ele passa
a ser portanto o seu parceiro, como diz o próximo item.
3) você
tem um sócio
Este talvez seja um mal de grande parte das instituições religiosas. Pedem
dinheiro como ninguém. E mesmo que o consigam, jamais prestam contas. Nem de
onde usaram o dinheiro, nem quando, nem como.
E chega a ser pior quando voltam para pedir dinheiro para os mesmos doadores
e ouvem da necessidade de algum relatório. Mas que pachorra! Só porque me
deu uns caraminguás no passado agora vem me pedir relatórios? Ora, que falta
de confiança! Quem ele pensa que é? Ora, Deus é testemunha de como usei este
dinheiro!
Deus é testemunha mesmo. De como o dinheiro foi bem ou mal usado. O doador
tem o direito de saber também. Ele quer saber. Ele muitas vezes precisa
saber, para prestar contas a superiores.
Transparência administrativa, relatórios claros e profissionais
(esqueça as prestações de contas que algum missionário disse como fazer),
isenção plena na conduta. São todos fatores que deveriam ser mínimos para
quem se candidata a captar recursos com quem quer que seja. E não fiquemos
apenas nos relatórios financeiros e administrativos. Se você prometeu
resultados, prove que você os alcançou. Você pegou dinheiro para distribuir
“N” cestas básicas? Prove que distribuiu, de preferencia até com algum tipo
de auditoria. Você pretendia alcançar “X” crianças com seu projeto? Prove
que você o fez. Resultados. Mostre os resultados. Ninguém quer saber que
você se esforçou. O dinheiro não lhe foi dado por seus esforços, e sim para
que, por meio dele e por meio dos seus esforços, os resultados chegassem.
4)
antes tome “semancol”
É
impressionante o número de espertos que saem por aí buscando recursos para
obras assistênciais, ajuda social, evangelismo, fazer o bem, sei lá a quem,
e o fazem só por estarem comissionados, serem contratados da instituição
(direta ou indiretamente), ou terem algum interesse individual na captação
do recurso. São os primeiros a não defender o projeto. Jamais colocariam
dinheiro alí se o tivessem. Mas usam o “projeto” como uma desculpa para
conseguir ganhar algum.
Empresários tem um faro impressionante para este tipo de gente. Acredite em
mim. Eles só sobrevivem no meio em que vivem se desconfiarem de tudo. E se
especializam nisso. São pagos para achar entrelinhas em contratos. Conseguem
os melhores negócios quando escutam o que não foi falado, e quando enxergam
o que não querem que se veja. Portanto, não os subestime. Pense que eles
estão indo, e tenha a certeza de que já estão voltando.
O doador
vai desconfiar de você? Vai! Conte com isso! Prepare-se para isso. Ele vai
analisar seu projeto como um contrato. É o jeito dele! É a obrigação dele!
Faça a sua. Mesmo que você seja um funcionário da instituição e você viva do
salário que lhe é pago, faça o seu trabalho com clareza, mas antes de tudo
mostre que você lhe vende o projeto que você mesmo há muito já comprou.
Por certo
o mais importante...
...ainda
mais para quem conhece Deus, seja saber se Deus de fato comprou o projeto.
Se comprou, com certeza, sem sombra de dúvida, o recurso vem, seja por que
caminho for.
veja
ainda:
Quem
sabe não foi pra isso...?
... por habitar e
circular entre o mundo empresarial e o ministerial há 26 anos acho que já
aprendí a não me assustar com as anomalias. Aprendí a ver o que há de
excelente em cada lado, e fugir do que há de mau. Aprendi que Deus é
Senhor de ambos, e se ficamos vez por outra surpresos com o que vemos,
jamais veremos Deus surpreendido com o que há. Ele sabe, e segue no
controle de tudo.
A verdade é que Deus nos coloca onde estamos com finalidades que Ele
conhece há muito, e que nos revela aos poucos. Como Ester, talvez eu e
você tenhamos sido plantados em terreno específico, e mesmo que não
consigamos ver ‘quais podem ser as intenções de Deus’, Ele as tem, por
certo.
Enfim, temos nossas lições de casa. E é justamente para uma
delas que eu quero agora lhe chamar a atenção. “Quem sabe não foi pra isso
que Deus lhe colocou onde colocou?”
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Carlos Sider
Implicações
e desafios da Missão Integral
É lugar comum em qualquer ensaio missiológico usar o termo "missão
integral", assim como se usa o termo "reino de Deus", sem maiores detalhes
sobre o que realmente significa fazer missão de modo integral. O uso deste
termo empresta uma áurea de seriedade ao que se escreve.
A verdade é que este tema já está desgastado e existe uma certa desilusão
com o mesmo em vista das dificuldades que este modelo de missão impõe. Se de
um lado vemos igrejas totalmente alheias aos postulados da MI, por outro
lado vemos igrejas que gostariam de trabalhar mais estes ideais, mas
encontram as mais diversas dificuldades. São dificuldades conceituais,
estruturais, econômicas e ideológicas.
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Carlos Barro
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